sábado, 5 de novembro de 2011

F&L!C!D@D&- Fernando Pessoa



Não se acostume com o que não o faz feliz,

revolte-se quando julgar necessário.

Alague seu coração de esperanças,

 mas não deixe que ele se afogue nelas.

Se achar que precisa voltar, volte!

Se perceber que precisa seguir, siga!

Se estiver tudo errado, comece novamente.

Se estiver tudo certo, continue.

Se sentir saudades, mate-a.

Se perder um amor, não se perca!

Se o achar, segure-o!



FELICIDADE- FERNANDO PESSOA

terça-feira, 18 de outubro de 2011

SONG OF THE SPIRITS OVER THE WATERS



GOETHE

A alma do homem é como água

Vem do céu

Ao céu volta

e depois retorna à Terra,

Em eterna alternância.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

DEFINITIVO



CARLOS DRUMOND DE ANDRADE


Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.


Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um
verso:Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional

Gentilmente enviado por Osmar de Oliveira Aguiar
Nota:
Às vezes a gente se arrepende pelo que faz. Às vezes, o arrependimento pelo que deixamos de fazer é bem pior. Taí uma boa reflexão do Drummond sobre isso. E carpe diem.
Osmar

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

SE FOR INTELIGENTE RESPONDA


(Repassando)
 

*Como se escreve zero em algarismos romanos???

* Por que os Flintstones comemoravam o Natal, se eles viviam
numa época antes de Cristo??

* Por que os filmes de batalhas espaciais têm explosões tão
barulhentas, se o som não se propaga no vácuo???

* Se depois do banho estamos limpos, por que lavamos a
toalha???

* Como é que a gente sabe que a carne de chester é de chester
se nunca ninguém viu um chester??? (vc já viu um chester? )

* Por que quando aparece no computador a frase 'Teclado Não
Instalado', o fabricante pede p/ apertar qualquer tecla???

* Se os homens são todos iguais, por que as mulheres escolhem
tanto???

* Por que a palavra 'Grande' é menor do que a palavra
Pequeno'???

* Por que 'Separado' se escreve tudo junto e 'Tudo junto' se
escreve separado???

* Se o vinho é líquido, como pode existir vinho seco???

* Por que as luas dos outros planetas têm nome, mas a nossa é
chamada só de lua???

* Por que quando a gente liga p/ um número errado nunca dá ocupado???

* Por que as pessoas apertam o controle remoto com mais
força, quando a pilha está fraca???

* O instituto que emite os certificados de qualidade ISO 9002
têm sua qualidade certificada por quem???

* Quando inventaram o relógio, como sabiam que horas eram,
para poder acertá-lo???

* Se a ciência consegue desvendar até os mistérios do DNA, por que ninguém descobriu ainda a fórmula da Coca-Cola???

*Como a placa 'É Proibido Pisar a Grama' foi colocada lá???

* Por que, quando alguém nos pede que ajudemos a procurar um
objeto perdido, temos a mania de perguntar: 'Onde foi que você perdeu?'

* Por que tem gente que acorda os outros para perguntar se estavam dormindo???

* Se o Pato Donald não usa calças, por que ele amarra uma toalha na cintura quando sai do banho??? 

GENTILMENTE ENVIADO PELA AMIGA DJANIRA (DJANSFANTASIA)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

ANTE A ORAÇÃO


Francisco Cândido Xavier

Acatemos na oração a presença da luz que nos descortina a estrada para a Vida Superior
Sem prevalecer-nos dela a fim de queixar-nos de outrem ou espanaear verbalmente seja a quem seja 
Quando a nossa comunhão com Deus e com a Espiritualidade Superior não seja possível em lugar a parte, no silêncio do coração, conforme a recomendação de Jesus.

 DO LIVRO- Sinal Verde

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

DESPEDIDA DO TREMA



Estou indo embora. Não há mais lugar para mim. Eu sou o trema. Você pode nunca ter reparado em mim, mas eu estava sempre ali, na Anhangüera, nos aqüíferos, nas lingüiças e seus trocadilhos por mais de quatrocentos e cinqüentas anos.
Mas os tempos mudaram. Inventaram uma tal de reforma ortográfica e eu simplesmente tô fora. Fui expulso pra sempre do dicionário. Seus ingratos! Isso é uma delinqüência de lingüistas grandiloqüentes!... resto dos pontos e o alfabeto não me deram o menor apoio... A letra U se disse aliviada porque vou finalmente sair de cima dela. O dois pontos disse que eu sou um preguiçoso que trabalha deitado enquanto ele fica em pé.
Até o cedilha foi a favor da minha expulsão, aquele C cagão que fica se passando por S e nunca tem coragem de iniciar uma palavra. E também tem aquele obeso do O e o anoréxico do I. Desesperado, tentei chamar o ponto final pra trabalharmos juntos, fazendo um bico de reticências, mas ele negou, sempre encerrando logo todas as discussões. Será que se deixar um topete moicano posso me passar por aspas?... A verdade é que estou fora de moda. Quem está na moda são os estrangeiros, é o K e o W, "Kkk" pra cá,"www" pra lá.
Até o jogo da velha, que ninguém nunca ligou, virou celebridade nesse tal de Twitter, que aliás, deveria se chamar TÜITER. Chega de argüição, mas estejam certos, seus moderninhos: haverá conseqüências! Chega de piadinhas dizendo que estou "tremendo" de medo. Tudo bem, vou-me embora da língua portuguesa. Foi bom enquanto durou. Vou para o alemão, lá eles adoram os tremas. E um dia vocês sentirão saudades. E não vão agüentar!...
Nós nos veremos nos livros antigos. Saio da língua para entrar na história.
Adeus
TREMA 

( desconheço a autoria, gentilmente enviado pela amiga Bel Castro)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A ORAÇÃO (que causou controvérsias)

Oração Por Nós





  1. Oração de abertura no senado de Kansas.  Na sessão de inauguração da 'Kansas House of Representatives .'   
  2. Quando se pediu ao reverendo Joe Wright que fizesse a oração de abertura no Senado de Kansas, todos esperavam  uma oração ordinária, mas isto foi o que todo escutaram:
  3. "Senhor, viemos diante de Ti neste dia, para Te pedir  perdão e para pedir a tua direcção.    Sabemos que a tua Palavra disse: 'Maldição àqueles que  chamam "bem" ao que está "mal“, e é exactamente o que temos feito.    Temos perdido o equilíbrio espiritual e temos mudado os nossos valores.
  4. Temos explorado o pobre e temos chamado a isso "sorte".    Temos recompensado a preguiça e chamámo-la de "Ajuda Social".    Temos matado os nossos filhos que ainda não nasceram e temo-lo chamado “a livre escolha".    Temos abatido os nossos condenados e chamámo-lo de "justiça".
  5.    Temos sido negligentes ao disciplinar os nossos filhos e chamámo-lo “desenvolver a sua auto-estima”.    Temos abusado do poder e temos chamado a isso: "Política".    Temos cobiçado os bens do nosso vizinho e a isso temo-lo chamado "ter ambição".    Temos contaminado as ondas de rádio e televisão com  muita grosseria e pornografia e temo-lo chamado "liberdade de expressão".
  6. Temos ridicularizado os valores establecidos desde há muito tempo pelos nossos ancestrais e a isto temo-lo chamado de "obsoleto e passado".    Oh Deus!, olha no profundo dos nossos corações; purifíca-nos e livra-nos dos nossos  pecados.    Amen.
  7.   A reacção foi imediata. Um Parlamentar abandonou a sala durante a oração. Três outros criticaram a oração do Padre classificando a oração como “uma mensagem de intolerância”.
  8. . Durante as seis semanas seguintes, a Igreja  'Central Catholic Church‘ onde trabalha o sacerdote Wright recebeu mais de 5.000 chamadas telefónicas, das quais só 47 foram desfavoráveis.
  9. Esta Igreja recebe agora petições do mundo inteiro, da Índia, África, Ásia, para que o pároco Wright ore por eles.    O comentarista Paul Harvey difundiu esta oração na sua emissão de rádio ' The Rest of the Story ', (O Resto da História), e recebeu um acolhimento muito  mais favorável por esta emissão, que por qualquer outra.


  Gentilmente enviado por Sara Almeida Campos

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

MODESTO OFÍCIO






Luiz Martins da Silva

Dedicado a você

Ah! Este meu pequeno ofício,
Que de longe nem se emparelha
Às mais variadas virações de meu pai...
Pois, são só suspiros e saudades, ai...

Ainda nem registrado em cartório,
Embora seja mais que nascimento,
Casamento, crescimento de filhos,
Um leão por dia, com direito às suas crias.

Ah! Meus doces caseiros,
Como diria Coralina, à beira do rio.
Pelo menos ela, de cor os tinha.

Eu os divago, depois os disperso,
Logo, em versos, deles me despeço.
São seus, agora, aqui e em Pirapora.


sábado, 13 de agosto de 2011

PARA MEDITAR

"Sirvamos a Deus , alegremente, com reverência e piedade."
                                                                          Paulo. ( Hebreus,12:28)

"Sirvamos  a Deus , alegremente" - solicita o apóstolo-, mas não se esqueça de acentuar a maneira pela qual nos compete servi-lo.
Não poderíamos estender a tristeza nas tarefas do bem.
Todos os elementos da Natureza obedecem às Leis do Senhor, revelando alegria.
Brilha a constelação dentro da noite.
O sol transborda calor e luz.
Cobre-se a Terra de flor e verdura.
Tem a fonte uma cantiga peculiar.
Entoa o pássaro melodias de louvor.
Não seria justo, pois, trazer, ao serviço que o Mestre nos designa, o pessimismo e a amargura.
O contentamento de ajudar é um dos sinais de nossa fé.
Entretanto, é necessário que a nossa alegria não se desmande em excessos.
Nem ruído inadequado, nem conceitos impróprios.
Nem palavras menos dignais, nem gargalhadas que poderiam apenas sugerir sarcasmoe  e desprezo.
Sirvamos alegremente, com reverência e piedade. Reverência para com o Senhor e piedade para com o próximo.
Não podes pessoalizar o Todo-misericordioso para agradá-lo, mas podemos servi-lo diariamente na pessoa dos nossos irmãos de luta.
Conduzamos , assim, o carro de nosso trabalho sobre os trilhos do respeito e da caridade e encontraremos, em nosso favor, a alegria que nunca se extingue.

Francisco Cândido Xavier. in Fonte Viva.  Ditado pelo espírito Emmanuel.20.ed. Rio de Janeiro: FEB, 1995. Lição 178, p., 395.



domingo, 31 de julho de 2011

VIRGINIA WOOLF

"Os poetas criam simplificando. Não incluem praticamente nada. Eu quero incluir praticamente tudo; quero impregnar. è o que eu quero fazer agora. Incluir o nonsense, o fato, o sórdido: mas tornados transparentes."

Do livro- As ondas

domingo, 10 de julho de 2011

OS QUARENTA MÁRTIRES DO BRASIL












Os Quarenta Mártires do Brasil compõem um grupo de 40 jesuitas jovens (entre 20 e 30 anos), 32 portugueses e oito espanhóis, destinados à missão no Brasil em 1570. Eram 2 sacerdotes, dois diáconos, 23 estudantes e quatorze irmãos, chefiados porInácio Azevedo. Durante a viagem, sua naufoi interceptada nas Canárias por navios de calvinistas. Os calvinistas, ao saber que erammissionários católicos, atiraram-nos ao mar em 15 de Julho de 1570. Foram beatificados em 11 de Maio de 1854 pelo papa Pio IX A festa litúrgica destes mártires é celebrada em 17 de julho.


Fonte: Wikipédia

terça-feira, 24 de maio de 2011

MILÊNIOS


FERNANDO HENRIQUE DE PASSOS (LISBOA- PT)


Nos fundos das águas

Um peixe do século XX

Deslizou indiferente,

Por cima de uma imponente esfinge egípcia

Do tempo de Ramsés II.

Os mergulhadores,

Num impaciente fervilhar de bolhas,

Continuaram na sua azáfama de cordas e correntes,

Em torno do gigantesco bloco de pedra

Desfigurado pelos milhares de conchas que o cobriam.

domingo, 8 de maio de 2011

MÃE


Luiz Martins da Silva

Foram à palavra de origem misteriosa
Buscar no Lácio a que fosse altíssima rima,
Mas por não a achar rimaram-na com rosa,
Imagem pura a se abrir em pétalas divinas.

Mater Dei Genitrix, Stela Matutina,
Quantas ladainhas, epítetos, loas
Para a genitora de todos os nascidos,
Trazendo ao colo o próprio Deus menino.

Encontraram na arca os verbos mais antigos
Parir, nascer, nutrir e a própria Natureza
Brotando-se em robustos substantivos

Que ungem Criador e criaturas na beleza
De quem a tudo e a todos abençoa a um só tempo,
Do minúsculo germe ao Ser maior do firmamento.

Pintura a oleo- La Charité (1878)
Adolphe-William Bouguereau (1825 - 1905)

quarta-feira, 20 de abril de 2011

VIGIAR E ORAR


"A oração não é senão um ato de amor, e é insensato pensar que só se pode orar quando se dispõe de tempo e de solidão."
                                                                                                            Santa Teresa de Jesus
Há dias que caminhar é só um passo após o outro e o vento tem a docilidade de beijar-nos a face, e sabemos ser verdadeiramente parte da criação. Outros há que não caminhamos, ficamos presos no vale de lágrimas, no abismo de angústias. Nestes dias, damos as mãos aos pensamentos turvos da culpa e do abandono. Lá fora, o sol nasce sempre, as estrelas cintilam seus diademas de brilhantes e o vento, como menino solto, corre nas praças e jardins. Nós nada vemos, pois o pensamento conduz-nos cada vez mais ao isolamento cômodo da lamentação.

As energias revigoradoras do planeta são espalhadas diuturnamente, pois a espiritualidade maior não nos esquece nunca. São fontes de sustentação para os momentos difíceis em que caminhar é um ato surpreendente, pois nossas descobertas e aprendizados são quase sempre através da dor. Todos nós domamos todos os dias um dragão interior. Não nos enganemos, o dragão do que cruza conosco a avenida, parece adormecido, mas ruge alto e o assusta tanto quanto o nosso, só ele o conhece. A boa sintonia mental abre todas as janelas e nos mantém fortes aos tropeços naturais do ato de viver. O bom pensamento conduz-nos as altas esferas celestiais, lá onde a bondade reina, em que seres criados simples, como nós, partilham da grandeza do amor do Pai, face a face. A oração traduz-se na vigília do bom pensamento em todos os momentos do dia. Por sermos seres em aprendizado, nosso pensamento salta dos acordes mais altos aos arranhões sonoros das escalas inferiores. O exercício necessário de orquestramos nossas vidas, faz-se então presente. O predomínio dos belos acordes, tendo ao fundo pequenos ruídos, será a melodia que nos levará em frente. Se o predomínio for inverso, isolamo-nos do mundo, e quedamos ao sentimento de abandono. Se não é possível a oração contínua que seja o bom pensamento o condutor presente em cada minuto. Se um homem vigia seus pensamentos, ele ora. Se uma comunidade vigia seus pensamentos, também ora. Imagine uma cidade, um país, o planeta em busca da Harmonia do Mundo.

Luísa Ataíde

terça-feira, 29 de março de 2011

LUIS VAZ DE CAMÕES - CANTO I I- OS LUSÍADAS



Já neste tempo o lúcido Planeta,

Que as horas vai do dia distinguindo,

Chegava à desejada e lenta meta,

A luz celeste às gentes encobrindo,

E da casa marítima secreta

Lhe estava o Deus Noturno a porta abrindo,

Quando as infidas gentes se chegaram.

As naus, que pouco havia que ancoraram

quarta-feira, 23 de março de 2011

DEPOIS DO NEVOEIRO



LUIZ MARTINS DA SILVA


Melhor remédio não haverá que o próprio no desuso,
Mas convém guardar divisa do horizonte no convés,
Nunca se sabe o que nos advinham a tinta fresca
E os pingos de vela caindo sobre um velho diário de bordo.


Dormir melhora a antevéspera do dilúvio,
Alguém nos ensinará uma simpatia de esperança:
Receita improvável de alguma poção mágica,
Modo de preparo: salmoura de lágrimas e chuva.

Eu vigiarei os lusco-fuscos intermitentes das borrascas,
Convicto de que algum de nós avistará um vulto,
Uma chispa de relâmpago há de lhe açoitar o rosto,
Sacudir quem semimorto por pouco quase se desgarra do rochedo.

Amo e cultivo a escuridão, misto de reverência e medo,
Pois nada mais entende de luz do que a mãe da noite,
A inferir nas entrelinhas da gramática do perigo
Que a manhã de calmaria virá colar cada um dos nossos ossos rotos.

terça-feira, 8 de março de 2011

SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA- BIOGRAFIA

Catedral São Pedro de Alcântara- Petrópolis, RJ ( Mosteiro)

Pedro nasceu em 1499, na cidade espanhola de Alcântara, Extremadura, que fica perto da fronteira com Portugal, recebendo o nome de Juan de Sanabria Garcia Garavito. Seu pai, Pedro Garavito, jurisconsulto ilustre, exercia o cargo de governador de Alcântara. Sua mãe, Maria Vilela de Sanabria, filha de Juan de Sanabria e de Urraca González Maldonado, é, pois, descendente de uma grande família espanhola, e não ficava aquém das virtudes e raras qualidades do marido. Pedro Garavito falece em 1506 e dona Maria contrai segundas núpcias, casando-se com o também viúvo Alonso Barrantes, em 1508.
Juan (Pedro) desde cedo gostava de rezar secretamente no oratório da casa. Após um curso de gramática e filosofia em sua cidade natal, entra, aos quatorze anos, para a célebre Universidade de Salamanca, onde se aplicou aos estudos, à oração, penitências e progrediu rapidamente nos estudos universitários e na ciência dos Santos. Nas horas vagas, dedicava-se aos pobres doentes que o estimavam muito por sua caridade tão fraterna. Entusiasmou-se pela vida dos franciscanos porque lhe pareciam gente muito desprendida do material e muito dedicada ao espiritual. Pediu para ser admitido como franciscano e elegeu o convento onde estavam os religiosos mais rigorosos dessa comunidade. No noviciado, colocaram-no na posição de porteiro, hortelão, varredor e cozinheiro. Nesta última posição sofria freqüentes acidentes, por ser muito distraído. Toma o hábito em 1515 e muda o nome para Pedro. Em 1524, com 25 anos de idade, foi ordenado sacerdote e, pouco depois, designado pregador. Tornou-se modelo de perfeição monástica e ocupou altos cargos, os quais administrou até chegar a superior do convento e mais tarde, provincial1 da Ordem. Como provincial, visitou todos os conventos da sua jurisdição, promovendo uma reforma de acordo com a regra primeira de São Francisco, da qual era testemunho vivo. Conhecido, sem desejar, em toda a Europa, foi conselheiro do imperador Carlos V e do rei João III, além de diretor espiritual de Santa Teresa D'Avila.
Amável e compreensível para com o próximo, era intransigente e extremamente severo para consigo mesmo. Franciscano de espírito e por convicção, outras coisas não possuía a não ser um hábito surrado, um breviário, um crucifixo tosco e um bastão. Não usava calçado, nem chapéu. Jejuava a cada três dias, alimentando-se unicamente de um pouco de pão, água e legumes temperados com cinza, para não sentir nenhum prazer no alimento. Mortificou-se tanto com a comida e a bebida, que perdeu o paladar e, assim, todos os alimentos lhe pareciam iguais. Quando lhe chegavam os êxtases e dias de oração mais profunda, seus sentidos não se davam conta do que sucedia ao seu redor e, então, ele passava até uma semana sem comer nada. Passava horas e horas de joelhos e, quando o cansaço lhe chegava, apoiava a cabeça em um prego na parede e, assim, dormia alguns minutos. Normalmente dormia apenas duas horas por noite e, ainda assim, sentado numa cadeira, em pé ou encostado na parede. Costumava passar noites inteiras sem dormir um minuto, rezando e meditando. Para suportar o inverno, tirava o manto e abria a janela e a porta de seu quarto para que, ao colocar novamente o manto e fechá-las, seu corpo se contentasse com um pouquinho de calor. Com o tempo, foi diminuindo essas terríveis mortificações, pois percebeu que lhe arruinavam a saúde.
O amor de Deus lhe preenchia tanto a alma que, quando lhe trespassava o peito, tinha que abandonar a sua cela para sair e refrescar-se ao ar livre. Era-lhe muito difícil orar ou celebrar a Santa Missa sem sair de si mesmo e até levantar-se ao ar, muitas vezes. Freqüentemente o Espírito o invadia e, então, dava grandes gritos e corria a fechar-se em sua cela, como aquele dia em que, instruindo seus irmãos sobre o Evangelho, caiu gritando ‘Deus se fez carne’ e correu à gruta que lhe servia de cela, onde passou três horas em êxtase. Ele podia falar sobre o amor com toda propriedade, como o faz em seu ‘Tratado da Oração e da Contemplação’, jóia de grande valor, ainda que pequena em tamanho, que alimentou a grandes espíritos e mereceu os elogios de São Francisco de Sales. Este foi o testamento espiritual daquele severíssimo reformador de frades, um dos maiores promotores do fervor religioso na Espanha de seu tempo. O trabalho no qual mais êxitos obtinha era o da pregação. Seus sermões, tirados dos profetas e dos livros sapienciais, manifestavam a mais terna simpatia humana. Tinha a graça de comover a seus ouvintes e muitas vezes bastava sua presença para que muitos deixassem suas vidas cheias de vícios e começassem uma vida mais virtuosa. Preferia sempre os auditórios de gente pobre, pois lhe parecia que eram os que mais vontade tinham de se converter. Pregou na Espanha e em Portugal. Pela reforma da ordem franciscana, Pedro não só restabeleceu na família monástica o espírito primitivo da pobreza, humildade e penitência, mas concorreu grandemente para a renovação da fé entre o povo,na época em que os protestantes começavam seu trabalho. A virtude e extraordinários talentos de que era dotado, tornaram seu nome célebre e acatado em toda a Espanha. Ainda em vida era chamado Frei Pedro, o Santo. De longe vinham pessoas, com o fim de conhecer o humilde e amável franciscano, e dele recebiam instrução, conselho e consolo. Nas viagens do missionário o povo se acercava dele, para beijar-lhe a orla do hábito e pedir-lhe a bênção. Cidades e municípios recorriam ao seu julgamento, para fazer cessar litígios. Ao terminar cada missão, fazia erguer nas praças públicas ou encruzilhadas, uma grande cruz para lembrar ao povo as verdadesque tinha ensinado.Desejando que os religiosos mais se mortificassem e dedicassem mais tempo à oração e à meditação,fundou um novo ramo de franciscanos, chamados de ‘estrita observância’, ou ‘alcantarinos’. Em pouco tempo havia muitos conventos dedicados a levar à santidade seus religiosos, por meio de uma vida de grande penitência. Dizia a seus frades: ‘Se virdes pecar um vosso irmão, não o ofendais e não o pertubeis mas, cheios de docilidade, falai-lhe ao coração e avisai-o, com amor, convindo que vós sois feitos do mesmo barro’.
Em 1560 Pedro de Alcântara encontra-se com Tereza D’Ávila, que confideciou-lhe, muito angustiada, que algumas pessoas diziam-lhe que as visões que tinha eram ilusões do demônio. Guiado por sua própria experiência em matéria de visões, Pedro entendeu plenamente o caso dessa jovem e lhe disse que suas visões vinham de Deus e falou em seu favor com os sacerdotes que a dirigiam. Pedro muito ajudou Tereza D’Ávila tendo sido seu amigo, seu confidente e tendo orientado-a nas dificuldades e provações de sua vida espiritual. Trocou com ela inúmeras cartas, nas quais animava-a e orientava-a em seu trabalho. Sua última carta data de 14 de outubro de 1562, poucos dias antes de sua morte. ‘Era um homem muito amável, mas só falava quando lhe perguntavam algo e respondia com poucas palavras, mas valia a pena ouví-lo, porque o que dizia fazia muito bem’, contava Tereza D’Ávila.
Realizou em sua Ordem uma reforma análoga àquela que João da Cruz e Teresa D'Ávila fizeram entre os carmelitas. Rigorosíssimo no espírito de pobreza e mortificação, deu vida nova à então decadente espiritualidade franciscana. Franciscana era sua figura, envelhecida antes do tempo, caminhando por vales e montanhas, para visitar os conventos encomendados a seus cuidados, para exortá-los, sem desfalecimento, a perseverar na pobreza total. Franciscana foi sua morte, rodeado de seus irmãos, em uma vila esquecida, com palavras de exaltação à pobreza e à oração. Seu corpo foi coberto das mais pobres vestes.
Em 19 de outubro de 1562, com 63 anos de idade, após sofrer muito, ardendo em febre, recusou um copo de água que lhe ofereciam porque Jesus Cristo também sofrera sede, e expirou. Era um domingo, pela manhã, dia de São Lucas. Teresa D’Ávila teve uma visão de sua alma subindo ao Céu. Ele morreu no convento Arenas, em Ávila, sendo sepultado na Igreja do convento. Declarou Tereza D’Ávila, a respeito de Pedro de Alcântara, após sua desencarnação: ‘Tenho-o visto muitas vezes com grandíssima glória. Parece-me que muito mais me consola do que quando aqui estava’. Tereza contou, ainda, que Pedro de Alcântara lhe apareceu depois de morto e disse-lhe: ‘Felizes sofrimentos e penitências na terra, que me conseguiram tão grandes prêmios no céu’.
Foi beatificado pelo Papa Gregório XV em 18 de abril de 1622 e canonizado em 28 de abril de 1669, pelo Papa Clemente IX. Patrono particular de Dom Pedro II, São Pedro de Alcântara foi considerado, pelo primeiro Imperador do Brasil, o principal padroeiro do Império, em 31 de maio de 1826. É o padroeiro da cidade de Petrópolis,Rio de Janeiro. A Família Real portuguesa e a Imperial brasileira sempre tiveram por ele grandedevoção. O imperador D. Pedro II tinha o nome de Pedro de Alcântara em homenagem a ele. O Decreto Imperial de 16 de março de 1843, que fundou Petrópolis, determinava a demarcação ‘de um terreno para nele se edificar uma igreja com a invocação de São Pedro de Alcântara’. Assim, neste decreto, que foi o ato oficial e político que promoveria a criação de Petrópolis, quis o Imperador determinar desde logo, e conjuntamente com a idéia da povoação inicial, o levantamento de seu primeiro templo católico, sob a invocação do padroeiro do Império e seu patrono particular. Em seu discurso proferido em 1854, por insistência de D. Pedro II, Frei Francisco de Monte Alverne, um dos mais renomados da oratória sacra à época, ressalta as excelsas virtudes do padroeiro, dizendo, entre outras coisas que “Pedro de Alcântara restitui vivo a uma mãe o filho que acabara de perder; ressuscita na entrada entre Ávila de Pedroso um menino que se afogara. Novo Eliseu, aquece com seu calor vital o inanimado cadáver do filho do Conde de Ozorno; fere as águas com seu manto, e encostado a seu cajado vadeia a pé enxuto o Tejo e o Guadiana.”Em1566 se reconhecem seus restos, como afirma Pedro Barrantes: "Passados 3 anos de sua morte um guardião curioso daquele monastério abriu sua sepultura para ver como estava seu corpo e encontra-o inteiro, que somente havia gasto a ponta do nariz".

Êxtase de São Pedro de Alcântara
Melchor Pérez Holguín
Século XVIII
Óleo sobre tela 72,5 x 55 cm
Museo Nacional de Arte, Bolivia.
Um dos quadros de Holguín, pintado em 1701, trata do Êxtase de São Pedro de Alcântara', este santo asceta da ordem dos Franciscanos foi muito dedicado à oração e à penitência. Holguín pinta un momento da vida de privações e orações à qual sucede o milagre. Cristo aparece na cela do santo quando estava em oração e havia realizado uma das práticas de mortificação com disciplinas. Cristo quer premiar o santo por sua ascese e o conforta, dando-lhe una comida que os anjos trazem do céu. O Salvador lhe dá a sopa com uma colher.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

PÃES E FILHOS





Luiz Martins da Silva



Uma vida no eito,

Não a fiz sozinho.

Por vezes, o jeito,

Ser bom vizinho.


Noites adentro,

Rendendo horas.

O bule na trempe,

O vento lá fora.


Formigas percorrem

Incansável trilho.

Os fardos da honra

No amolde dos filhos.


Herança paterna,

Tantos irmãos.

Partilha eterna

De mínimos grãos.


Franciscanos votos

De sóbria nobreza.

Sonhar com netos

É da natureza?


Tecendo caráter,

Alinhavos de vida.

Primitivo tear

De tamanha lida.


Dedilhar uma lira,

Dar-se ao capricho.

Aspereza de lavra,

Ser mais que um bicho.

sábado, 8 de janeiro de 2011

INSPIRAR




"Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite."

C. LISPECTOR

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Luz Coada por Ferros 1863

Herança de Lágrimas 1871

MUSEU RICARDO BRENNAND


ANN WARD RADCLIFFE- LIVROS

André, Lucas, Mateus